Costinha:
«Entrei no Sporting em Fevereiro, e ao fim de mês e meio reuni-me com o João, para tentar perceber onde podíamos melhorar, de forma a sermos a equipa que todos nós queremos. Já nessa altura o João manifestou vontade de sair, embora tenha tido sempre um comportamento normal até final da temporada. Por isso, quando a equipa técnica chegou, perguntei se seria uma boa solução mantermos um atleta que não está satisfeito no clube que o formou e lhe deu tudo o que tem até hoje»
«Verificámos que o seu comportamento em campo, sendo normal, não era o comportamento de empenho profundo que esperávamos no início da temporada. Percebemos que uma transferências estava na sua cabeça, e a ameaça de se recusar a treinar confirmou-o. Tentámos demovê-lo, mas o João nunca se mostrou cooperante. E chegou o momento em que o João me disse que teria de defendê-lo, após uma manchete de um jornal que referia a hipótese de deixar de ser capitão. Respondi-lhe que não o faria, porque não tenho de desmentir todas as manchetes sobre o Sporting. E a partir desse momento decidimos em conjunto que o melhor seria não contar com o atleta nesta e nas próximas temporadas»
«Não vou desejar boa sorte ao João, porque seria desejar boa sorte a um rival. Vejo-o partir com normalidade, e que não se aleije é tudo o que desejo».
José Eduardo Bettencourt:
"O comportamento de João Moutinho nos últimos tempos foi deplorável. Se eu não tivesse vivido a situação, não acreditaria que fosse possível descer tão baixo".
"No arranque de uma época nova, tínhamos um pomar com uma maçã podre, que iria contaminar o grupo. E não poderíamos continuar com uma maçã podre".
Bettencourt explicou também que esta foi a única saída do Sporting face "aos insistentes pedidos de João Moutinho para sair". "A única proposta que recebemos foi a do FC Porto. Tentámos que ele esperasse mais tempo, de forma a que pudesse surgir alguma oferta do estrangeiro, mas o João perdeu as estribeiras e forçou uma saída para o FC Porto, dizendo-nos que tinha dado a palavra ao FC Porto".
"No início da época, o representante do jogador, Pini Zahavi, disse-nos que o máximo que se conseguiria com a sua transferência seria 7,5 milhões de euros".
"Tive uma reunião com Pinto da Costa, que me disse que o Moutinho só jogaria no FC Porto se o Sporting visse isso com bons olhos. O negócio foi feito porque o Sporting quis, porque não queria uma maçã podre no seu pomar, não queria alguém que não fosse um exemplo nem dignificasse a bandeira do clube".
O dirigente salientou ainda que os pedidos de Mourinho para deixar o clube de Alvalade "intensificaram-se" a partir de 2008, "após a recusa de venda ao Everton". "E, apesar de as suas condições [salariais] terem sido revistas, a sua insatisfação foi notória e os pedidos de saída constantes. João Moutinho não contava com o Sporting e o Sporting não contava com João Moutinho. Era um jogador que não tinha condições para ser capitão. E, como não queremos ninguém contrariado, penso que chegámos a um bom fim desta triste história. Apesar da mágoa profunda pela forma como o processo foi conduzido, estamos satisfeitos por vê-lo partir".