O médio russo, numa entrevista ao jornal russo «Sport Express», conta que estava com dores insuportáveis e lamenta que, um caso que classifica como «banal» no futebol, tenha ganho tamanhas proporções.
O jogador começa por destacar isso mesmo, a estranheza pelo facto do caso ter adquirido tamanha dimensão. «Não quero decepcionar ninguém, mas a situação foi realmente banal. Não aconteceu nada de especial. São coisas normais no futebol profissional. A única diferença entre esta história e outras é que esta veio para a praça pública. Não gosto de falar sobre o que se passa no clube, mas agora queria esclarecer a situação», começa por contar Marat.
«No ano passado fui submetido a uma cirurgia ao joelho. Depois fui submetido a um processo de recuperação para que pudesse voltar a jogar o mais rapidamente possível. Eu realmente queria jogar e o treinador contava comigo. Mas depois comecei a receber grandes cargas, participava em quase todos os jogos e o joelho reagiu, sentia dores. O médico foi à Alemanha onde lhe deram a seguinte informação: se existe dor no joelho, o jogador tem de parar, se não parar, antes do final da época volta à mesa de operações», referiu.
«Nos últimos jogos joguei com dores insuportáveis. Depois de jogar com o Guimarães, três dias antes do jogo com o At. Madrid, não deixei de treinar, continuando a fazer os procedimentos médicos. Na véspera do jogo, ainda comecei o treino com a equipa, mas tive de sair porque não conseguia correr normalmente. Fizemos tudo para que pudesse jogar», prosseguiu.
O jogador garante que queria mesmo jogar frente ao At. Madrid. «Absolutamente. Estes são aqueles jogos que todos querem jogar. Mas para eles eu estava a virar as costas. No dia do jogo tentei fazer os exercícios, num último teste, e percebi que não dava para arriscar. Comuniquei isso ao treinador e ao médico», destacou. Foi então que surgiu Costinha. «Disse-lhe que não estava a cem por cento e isso não era bom para a equipa. Quando percebeu que não ia mesmo jogar disse-me para recolher os meus pertences e ir para casa», contou.
No dia seguinte, Costinha acusou Izmailov de falta de solidariedade para com os companheiros, referindo que três outros jogadores tinham jogado limitados. «É pena que as pessoas se esqueçam facilmente das coisas. Estive parado sete meses devido ao facto de ter jogado todos os jogos no final da época anterior com injecções, o que agravou a lesão, daí que tenha sido operado», destacou.
No dia seguinte, a polémica prosseguiu com a ausência de Izmailov no treino. «Estive no Consulado da Rússia, a tratar dos vistos para os meus pais. Sabíamos há uma semana que íamos ter o fim-de-semana de folga e por isso tinha planos com familiares e amigos. O clube queria que estivesse na Academia na sexta e no sábado, mas pelas razões que referi não fui. Por isso fui multado. Estou pronto para responder pelas minhas acções», explicou.
«Não sinto ressentimento ou antipatia. O Costinha quer trazer benefícios e resultados à equipa. O problema foi ter expressado os seus pensamentos e emoções em público. O meu nome, que custou muito a conquistar, sofreu muito com essas declarações. Mas não pretendo ficar parado. Estou sempre pronto para lutar pela minha reputação, especialmente quando a verdade está do meu lado», destacou ainda.